Atos, não palavras
Foi votada ontem a permanência da prisão preventiva decretada pelo Supremo do Senador da República Delcídio do Amaral, o Zacarias do PT.
[fato inédito desde a redemocratização, e não, ele não é o Zacarias]
59 a 13, um banho.
Delcídio é apenas mais um sintoma (e outros aparecerão) do apodrecimento porque passa o PT atualmente. O partido vive sua crônica da morte anunciada, um fenômeno de autodecomposição gradual.
Houve tempos, e os leitores mais jovens poderão se assustar, em que ser petista, filiado ou não, era motivo de orgulho. Os filiados exibiam radiantes suas carteirinhas, era o famoso "petista de carteirinha".
Se você hoje ouve a palavra petista, em qualquer esquina do país, pode ter certeza de que foi um xingamento.
Mas não sejamos ingênuos, isso se explica também por forças de desgaste externas ao partido (mídia, grupos reacionários implantados no judiciário e na Polícia Federal, determinados nichos do empresariado etc); o que não nos desobriga, absolutamente, a entender o término do ciclo petista como culpa, preeminentemente, de seus atos.
Lembro-me da fala do Senador Roberto Requião (PMDB), reveladora no que diz duma conversa privada que teve com José Dirceu, expressão importante do Estado à época. Sugeria ao petista a criação de uma TV estatal vigorosa, para asseverar a comunicação e rebater os ataques enviesados da mídia hegemônica.
Dirceu respondeu que já tinham uma, a Globo.
Se foi ingenuidade, erro de cálculo ou presunção, não importa, o fato é que o PT errou, e por suas próprias patas.
Delcídio, agora preso, tem contra si gravações, testemunhas, transcrições, e materiais apreendidos em sua residência e no gabinete do Congresso pela PF.
A tentativa de comprar o silêncio de um delator, a sugestão à execução da fuga deste, a suposta influência (própria e de terceiros) sobre o STF com intenção de obstruir, além do penteado de ninho de galinha caipira que ostenta, pesam-lhe violentamente.
Todavia, meus caros, percebam, não é isso que atesta o diagnóstico.
O sinal maior da doença degenerativa está, precisamente, na votação aberta terminada em 13 votos contrários à permanência de Delcídio na prisão.
Dos 13 votos, 9 foram petistas. Dos 12 senadores que a bancada possui no senado, apenas dois desacordaram.
Esses dois foram Paulo Paim e Walter Pinheiro, que sabidamente flertam com a dissidência, o primeiro manifestando interesse pela REDE.
Excetuando-se os dois senadores, bem como o voto de uma senadora ausente, toda a bancada votou pela liberdade do senador Delcídio do Amaral.
Mesmo com as provas, os pareceres da Procuradoria Geral da República, além dos votos dos ministros do Supremo que acataram a prisão do senador em unanimidade, à disposição desses senadores.
Concluo expondo-lhes em toda a sua malconformidade, feiúra e deformação o apodrecimento de um partido que portou, um dia, a tocha da esperança, e a trocou pelo incêndio do poder.
Que nisso existam coadjuvantes, todos sabemos, mas a apoptose começa por dentro.
Esses dois foram Paulo Paim e Walter Pinheiro, que sabidamente flertam com a dissidência, o primeiro manifestando interesse pela REDE.
Excetuando-se os dois senadores, bem como o voto de uma senadora ausente, toda a bancada votou pela liberdade do senador Delcídio do Amaral.
Mesmo com as provas, os pareceres da Procuradoria Geral da República, além dos votos dos ministros do Supremo que acataram a prisão do senador em unanimidade, à disposição desses senadores.
Concluo expondo-lhes em toda a sua malconformidade, feiúra e deformação o apodrecimento de um partido que portou, um dia, a tocha da esperança, e a trocou pelo incêndio do poder.
Que nisso existam coadjuvantes, todos sabemos, mas a apoptose começa por dentro.


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